Uma ideia sobre “Familia Verzola Recebe Diego Figueiredo

  1. “Negar um projeto cultural desse que eleva o nosso Brasil tão carente de informações e Projeto Cultural é terrivelmente dolorido…. Meu DEUS que sensação horrível tenho. E justamente na terra de um músico dessa categoria, reconhecido mundialmente entre os ícones??!! Será que é a síndrome do lulismo??!! A humanidade esta tão carente de alegria, de afeto, de sorriso e principalmente de música que de certa forma nos alimenta profundamente, nos transporta em magia divina. Precisamos nos apaixonar mais pelas artes, são a manutenção de nossa alma evoluída, desse mundo fantástico de artistas talentosos como você Diego!!!
    Lamentável, no Brasil é assim. A cultura artística quando a critério de políticos não há disponibilidade de interesses e nem verbas. Escutamos a negação com descrições ímpares mergulhadas na ignorância de nossos governantes. Grita Brasil! Acorda Franca!!!! – Roswyta Ribeiro

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    Entrevista de Domingo – 15/05/2011
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    “Prazer, meu nome é Diego Figueiredo”

    Após projeto de incentivo à cultura ser reprovado na Câmara, músico ganha força junto à sociedade

    Mônica Carvalho/DF

    A última semana foi de muitas surpresas e indignações em torno da política e da cultura em Franca. O francano Diego Figueiredo, músico, professor e produtor, criou um projeto de incentivo à Cultura, que foi encaminhado à Câmara pelo prefeito Sidnei Rocha, no entanto, a maioria dos vereadores votaram contra o projeto.
    Com sete votos a favor e oito contra, o resultado gerou uma grande manifestação por parte da sociedade em geral. Em portais de relacionamento da internet houve uma grande revolta e insatisfação.
    Para Diego, autor do projeto, a reprovação do projeto foi inesperada, já que se trata de um trabalho bem elaborado e completo. “E eu já havia conversado com o prefeito e ele elogiou o projeto. E na terça, assim que a votação foi encerrada, o presidente da Câmara (Marco Garcia), chegou até mim e disse que não tinha palavras para me dizer quanto à reprovação”.
    O músico, que já ganhou inúmeros prêmios nacionais e internacionais, acredita que os vereadores que votaram contra não leram o projeto. “Tenho essa convicção, porque houve um vereador que me procurou justificando o ‘não’, dizendo que no projeto ficou faltando alguns detalhes, porém, tudo que ele tinha dúvida constava no material”.
    Diego já levou o nome de Franca para mais de quarenta países por onde percorreu com sua arte obtendo críticas nos mais importantes jornais do mundo. Já lançou 17 cd’s, que estão espalhados em 5 continentes.
    Além de guitarrista, ele é produtor, arranjador, orquestrador e multi-instrumentista. Diego Figueiredo é filho de Franca, nasceu, cresceu e vive atualmente na cidade apesar de todos os compromissos e viagens internacionais.
    Assuntos como sua carreira, seus planos na arte, o incentivo à cultura e à polêmica do projeto reprovado estão detalhados na entrevista abaixo:

    Diário da Franca – Como começou sua vida na área artística?
    Diego Figueiredo – Comecei a tocar muito cedo, aos 6 anos, quando ganhei um bandolim do meu pai, herdado de um amigo da família. Aos 9 anos comecei a estudar violão e guitarra, despertando um grande talento que chamou a atenção de todos. Passei a tocar profissionalmente na noite com 12 anos, em bares, festas, encontros, bailes, bandas, e com um talento diferenciado, comecei a despontar como uma grande promessa da música brasileira. Desde então fui conquistando uma carreira vitoriosa e rápida, alcançando prêmios, elogios, parcerias e homenagens de prestígio internacional o que me deixa muito feliz e orgulhoso, e por ser francano.

    Diário da Franca – No início da sua carreira, como a maioria dos artistas, você deve ter sofrido dificuldades e teve de enfrentar barreiras para chegar onde está. Relembre; como foi que conseguiu chegar até aqui…
    Diego Figueiredo – Com certeza todo começo de carreira em qualquer profissão é muito difícil. Mas nós do mundo artístico sabemos da imensa dificuldade de vender “Arte e Cultura”, que sempre é deixada para segundo plano no Brasil, o que não acontece em países de primeiro mundo. Se eu, com todo meu histórico, prêmios e prestígio ainda encontro dificuldades e obstáculos para fazer boa música e cultura, então imagine os que estão começando!

    Diário da Franca – E onde você está hoje, eu digo em relação ao reconhecimento do público (fama), é o lugar que gostaria de estar… o que mais almeja para seu futuro na arte?
    Diego Figueiredo – Sempre procurei ser a mesma pessoa simples e objetiva, apesar de todos os méritos profissionais. Acho que preservar as nossas raízes é de extrema importância para o crescimento pessoal. Vejo meu reconhecimento pelo trabalho que realizo e não pela fama, pois ser famoso não quer dizer que tenha um bom trabalho. Hoje sou reconhecido em diversos países pela crítica especializada e pelo público, o que me deixa muito feliz por estar levando a nossa música brasileira. Levar música ao mundo é um privilégio muito grande, uma dádiva de Deus e o reconhecimento disso nos faz ainda mais acreditar e continuar o trabalho. Uma vez estava em conexão no aeroporto de Barcelona na Espanha, quando uma pessoa me para, tira um CD meu de sua mala e pede um autógrafo. Outra vez em Gotemburgo na Suécia, uma senhora me reconheceu na estação de trem dizendo que presenciou um show meu na Colômbia alguns anos atrás. Estas situações são momentos de reconhecimento e alegria e meu futuro será sempre levar minha música e cultura aos quatro cantos do mundo.

    Diário da Franca – E se não for na arte, há uma outra alternativa que passa por sua cabeça para seguir na sua vida. Você se imagina fora da vida artística? Se sim ou não, por quê?
    Diego Figueiredo – Olha que coisa engraçada: música é minha profissão, meu passatempo, meu escudo e minha diversão. E só consigo parar de pensar em música quando estou tocando. Isso escrevi algum tempo atrás no meu facebook e quis dizer que tudo surge dela. Não sei se em algum futuro eu venha a fazer algo diferente da vida artística, tenho apenas 30 anos e tenho muito tempo para pensar e muitas coisas a realizar. A música é a maior representação de uma sociedade, cria divisas, traz conhecimento, sonho e paz.

    Diário da Franca – Sabe-se que cultura no Brasil não é tão ‘aproveitada’ e respeitada como deveria – mesmo com o gabarito que existe aqui em comparação a outros países. Essa questão, porém, vem sendo cada vez mais discutida na sociedade e entre as autoridades, mas para você, como artista, pode ser considerado um avanço satisfatório, pois caminha a passos lentos, ou deveria haver uma maior manifestação e mobilização para que a arte seja mais reverenciada, respeitada, vista?
    Diego Figueiredo – A música brasileira é sem dúvida a melhor, mais diversa e criativa do mundo. Todos os países do mundo conhecem a Bossa Nova, Tom Jobim, João Gilberto, Chico Buarque de Holanda entre outros. O Brasil é tão grande e tão rico que as culturas são regionalizadas, e a grande mídia raramente divulga isso. No nordeste existem artistas e movimentos culturais fantásticos que as pessoas do sul e sudeste não têm conhecimento, e vice versa. O ministério da Cultura vem sempre tentando melhorar apoios de incentivo à cultura como a Lei Rouanet, que abate impostos para empresas que apóiam projetos culturais. A Secretaria do Estado de Cultura criou o PAC (Programa de Ação Cultural) que abate ICMS de empresas que apóiam projetos culturais, por exemplo: uma empresa que investe R$ 100 mil em um projeto cultural (que trará divulgação e prestígio para a empresa), esta mesma empresa pode abater R$ 100 mil de ICMS. O valor que investir será o valor abatido. Franca possui algumas grandes empresa que poderiam entrar nestes mecanismos e fazer mídia sem tirar dinheiro do bolso. Esta semana estarei em Brasília para fazer 3 shows e vou estar na Câmara dos Deputados a convite do deputado e amigo pessoal Marco Maia (Presidente da Câmara) para discutir projetos culturais. Acredito que o Brasil está em uma fase de mudança e crescimento, mas muita coisa ainda tem que ser feita na questão cultural, que é o alicerce de qualquer sociedade.

    Diário da Franca – Em relação ao seu trabalho… como anda os projetos e como está a programação de apresentações na sua agenda?
    Diego Figueiredo – Estou a mil por hora. Este ano já lancei 2 CDs, um no Japão e outro em Portugal. Um deles foi em duo com a cantora Francesa Cyrille Aimée que estará no Brasil este mês e faremos um show no dia 26 de maio na Feira do Livro de Ribeirão Preto. Neste CD que gravei em Portugal tive a honra de ter a participação do mais conhecido cantor e compositor português Rui Veloso. Minha agenda já está praticamente cheia até agosto, ainda este mês com shows em São Paulo, Brasília, BH, Rio, e no final de maio viajo para os EUA para fazer cinco shows no Lincol Center em Nova Iorque. Logo após tenho turnê em Portugal e Itália, e no segundo semestre tenho shows na Rússia, Sibéria, e alguns países da América do Sul. Para quem quiser consultar todas as datas de shows e novidades podem acessar o meu site diegofigueiredo.com.

    Diário da Franca – Quanto a algum trabalho que está realizando, o que pode adiantar?
    Diego Figueiredo – Estou produzindo agora o novo CD Vivencia II que será a segunda edição de um disco que fiz e foi lançado pela gravadora Biscoito Fino em 2009. Este CD obteve grande sucesso na Europa e no Brasil com críticas nos mais importantes jornais. O novo trabalho será a mesma formação do primeiro com guitarra, baixo e bateria com características do jazz e música brasileira. Também este ano vou gravar um CD chamado “Violão e Vozes” onde vou convidar em cada faixa um grande cantor da música brasileira.

    Diário da Franca – A Virada Cultural Paulista mais uma vez será realizada em Franca – o que já pode ser considerado um ponto positivo à cultura da cidade… qual sua opinião?
    Diego Figueiredo – A Virada Cultural é um evento criado pela Secretaria do Governo Estado de São Paulo com parceria das secretarias municipais de grande importância para cultura. A cada edição a população pode prestigiar bons espetáculos de graça durante dois dias. São varias atrações distintas, bandas boas que não estão na mídia, cantores, artistas em geral, que se apresentam gratuitamente para toda população. Este ano não vou participar da o evento em Franca, mas teremos boas atrações e vale a pena o público prestigiar.

    Diário da Franca – Você acredita que o Estado vem mostrando mais interesse em promover atos culturais – para assim incentivar municípios – que as próprias prefeituras? Qual sua opinião…
    Diego Figueiredo – Sim, o estado tem criado mecanismos importantíssimos para a difusão cultural nos municípios tal como a Virada Cultural e o PAC (Programa de Ação Cultural). Observa-se um interesse muito grande por parte do estado criando programas, mecanismos e incentivo à cultura. Acredito que cada município tenha que fazer seu papel também dando o máximo de atenção e criando mecanismos e ação cultural. No caso da nossa prefeitura, o prefeito Sidnei Rocha vem demonstrando total interesse, apoiando a cultura como um todo. E ele foi a primeira pessoa que apoiou o projeto “Circuito Cultural Musical” que, infelizmente, foi rejeitado na Câmara dos Vereadores de Franca. A FEAC também estava de total apoio e expectativa sobre este projeto que seria uma grade revolução cultural na cidade de Franca.

    Diário da Franca – Essa semana várias pessoas demonstraram indignação quanto ao veto da Câmara Municipal ao projeto que incentivava a cultura na cidade – ‘Circuito Cultural Musical’. Essa revolta espalhou pelas redes sociais e vem ganhando força. Você esperava essa manifestação da sociedade? Como está lidando com essa ‘mobilização’, já que é o responsável pelo projeto?
    Diego Figueiredo – Sim, eu esperava uma manifestação, mas não tão grande quanto está acontecendo. Chegamos a mais de 40 mil pessoas nas redes sociais de Franca e região, indignados com a não aprovação deste projeto tão importante para a cultura de nossa cidade, dando início a um movimento que seria crucial para uma mudança de mentalidade e conceito artístico e cultural.
    Esta imensa manifestação e descontentamento são de extrema importância e coerência, e prova de maneira árdua que a população francana necessita e quer Cultura. Todos os outros itens como, saúde, segurança, transporte, são questões distintas que tem a mesma prioridade que a educação e cultura. A música tem o poder de curar, tirar pessoas das ruas, criar esperança, sonhos e conhecimento. Franca está entre as cidades com melhor qualidade de vida do Brasil e a “Cultura” é a única coisa que falta para Franca se tornar uma cidade “grande” (mentalidade, desenvolvimento humano, social e cultural). O povo francano sabe disso e quer essa mudança. Franca merece e vamos lutar para isso. Cultura é um direito do povo somente a cultura a arte e o esporte tem o poder de transformar uma sociedade e criar uma mentalidade de crescimento e desenvolvimento.

    Diário da Franca – Depois da votação contrária, realizada na última sessão da Câmara – na terça-feira, vários eleitores procuraram os vereadores para tentar uma reversão. Você chegou a ser procurado por alguma autoridade para falar sobre essa questão?
    Diego Figueiredo – Na minha opinião, esperava que um projeto de tal magnitude e importância como este debatido e aprovado pelo prefeito, fosse avaliado e lido com atenção antes da votação de todos os vereadores. Não senti a necessidade de ter que fazer articulações políticas ou apresentar slides e documentações de “convencimento” ou mesmo de levar centenas de pessoas na Câmara para haver uma pressão, por se tratar de um projeto de âmbito cultural e social de interesse da população e necessidade dos francanos. Seria mais fácil perguntar aos 8 vereadores que disseram ‘SIM’, inclusive o presidente da Câmara Marco Garcia, que ficou inconformado e disse que a Casa perdeu está oportunidade de aprovar um projeto de tamanha importância para a cultura da cidade de Franca. Eu e um grupo de músicos e artistas francanos estávamos presentes na votação e realmente foi muito triste e doloroso ouvir “NÃO” de 7 vereadores que nem mesmo se pronunciaram após o feito no dia da votação. Precisávamos de 2/3 de votos.
    Eu estou sendo apenas o porta voz deste projeto e esta manifestação de indignação não é apenas de artistas e músicos e sim de toda população francana. Se o Prefeito, o vice-Prefeito, o presidente da Câmara, a FEAC e toda população francana são a favor, quem e por que ser contra? Até mesmo meu amigo e deputado estadual Roberto Engler quando contei da notícia, ficou chateado e me deu algumas diretrizes. Qualquer justificativa neste momento seria inútil, o que queremos e precisamos é da aprovação e concretização deste projeto.

    Diário da Franca – Em relação aos vereadores que se posicionaram a favor do ‘Circuito Cultural Musical’, o que você, como representante de todos que estariam envolvidos com esse projeto, tem a dizer, a declarar?
    Diego Figueiredo – Eu e todo grupo de artistas presentes na votação ficamos felizes e confiantes nos 8 vereadores que disseram ‘SIM’, pois entenderam a verdadeira essência e importância deste projeto não só para a cultura, mas sim para se criar uma movimentação cultural e mudança de mentalidade num futuro de nossa cidade. Quase todos se posicionaram e ficaram realmente tristes e indignados com a rejeição do projeto dizendo que quem perdeu foi Franca e toda sua população.

    Diário da Franca – Para as pessoas que desconhecem o projeto, aproveite para esclarecer…
    Diego Figueiredo – O projeto na integra está na internet e todos podem vê-lo. Porém, em resumo, ele seria o maior projeto de shows já realizado na história de Franca, onde a cada edição seria convidado um nome que fez parte da historia da Música Popular Brasileira. O projeto aconteceria a cada mês e na primeira edição teríamos a presença da cantora Fafá de Belém. Os próximos nomes seriam: Jair Rodrigues, Fagner, Margareth Menezes, Gal Costa, Roberto Menescal, Maria Bethânia, Ana Carolina, Marcos Valle, Chico Buarque, João Bosco, João Donato, Caetano Veloso, Sandra de Sá, Renato Teixeira, Zé Geraldo, Tunai, Maria Rita, Lenine, Zéca Baleiro, Sergio Reis, Ivan Lins, Luiz Melodia, Paulinho da Viola, Ed Mota entre outros. O projeto tem como objetivo difundir a música de qualidade e cultura na cidade de Franca com shows de extrema qualidade e prestígio. Estes shows seriam realizados no novo Ginásio, construído ao lado do Poliesportivo para um público de 2 mil pessoas aproximadamente em cada edição. A entrada seria 1 quilo de alimento para ser revertido para instituições locais.

    FRASES:
    “A música tem o poder de curar, tirar pessoas das ruas, criar esperança, sonhos e conhecimento. Franca está entre as cidades com melhor qualidade de vida do Brasil e a “Cultura” é a única coisa que falta para se tornar uma cidade ‘grande'”
    “Levar música ao mundo é um privilégio muito grande, uma dádiva de Deus e o reconhecimento disso nos faz ainda mais acreditar e continuar o trabalho”
    “Eu e um grupo de músicos e artistas francanos estávamos presentes na votação e realmente foi muito triste e doloroso ouvir “NÃO” de 7 vereadores que nem mesmo se pronunciaram após o feito no dia da votação”

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